As ruas encheram-se de grinaldas, enquanto não estavas. Como se quisessem preparar-se para te receber. Afinal, é sempre na vertigem do desespero que a vida te aparece em perspectiva. E passas a dançar sem razão aparente. Grato por seres lunático.

   Esperaram enquanto medias os teus dias em canecas de café instantâneo. A começar do zero, de cada vez. Pacientes, enquanto não saíste da janela por te parecer que descobrias no movimento das nuvens a direção do tempo. Que não é o mesmo que dizer que sabes para onde vai.

   E agora, que dizes já não viver de abstrações, encontras apenas as ruínas. Um sussurro de algo que não chegas bem a perceber. Numa língua que talvez tenhas estudado, um dia.

  Claro que danças por entre os cacos de uma festa para a qual não foste convidado. Grato por seres lunático.

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