Deixei de me preocupar

O tempo nunca demorou tanto a passar
A forma demorada como um quarto de hora
Pode abrandar
Faz-me refletir
Ora não fosse essa a única ocupação de uma mente que deseja dormir
A cama de rede onde balanço ampara-me o ego
Lentamente deixo que este se dilua
Desvanece a cada bafo travado
E a cada expiração sinto a alma mais nua
Mais leve
O futuro faz greve
O passado fica no passado
O momento, breve
Idolatrando um céu cansado
Tenuemente sinto-me sincero
Escapa-me da razão a ideia
Que absorto em esperança quero
Poder deixar de me preocupar
Com os contornos infinitos do momento
Em que o tempo vai sessar
Com a efemeridade de um vaso
Que é apenas um corpo
E questiono-me
Durante quanto tempo estarei morto?