O Vício da Saudade 

 

Tenho um Vício. 

Tu...Sim. Tu... 

O cúmulo do meu precipício. 

A queda que me me apara, 

Mesmo quando a flor é rara. 

O meu desejo por ti é Mais que Perfeito, 

E se és verbo eu sou sujeito. 

Custa-me sequer respirar o ar que não partilho 

E dormir no escuro sem o conforto do teu brilho... 

Não quero espaço! 

Prefiro sufocar, 

Desde que no teu toque me saiba tocar. 

Somente tua. 

Para sempre tua. 

Caminhante nessa mesma rua, 

Onde tu te permites esperar um pouco 

Mesmo que o pouco seja muito e eu perca o meu intuito devagarinho. 

Mas não. 

Não tenho dúvidas sequer, 

De que quero ser a Mulher que te diz mais do que palavras. 

Não tenhas medo que não me estragas! 

De ti necessito, 

Porque quanto mais longe ficas, mais perdida eu fico. 

E neste mero acaso de sequelas, 

Onde eu sou a tela e tu as aguarelas, eu lembro-me de rastos da tua voz, 

Sento-me no Plural de Nós e decifro-te... 

Porque sim. 

És o cúmulo da minha saudade. 

Esse mundo da minha cidade, 

Onde as estrelas dormem e tu me adormeces, 

Onde eu te lembro e tu não me esqueces, 

Onde eu me aqueço e tu me arrefeces. 

E é neste fim que nunca mais termina, 

Que te escrevo com caneta fina e te afirmo: 

Mata-me se for preciso, 

Mas recuso-me a ser lágrima nesse teu sorriso. 

Por isso duas opções te forneço : 

- Ou comigo ficas ou adoeço 

E essa doença também mata, 

É a saudade de quem ama e te espera até à Data. 


© Carolina Mendes